Maternidade Real

Eu tenho a sorte grande de estar sempre aprendendo com o meu trabalho. Na verdade, estou sempre aprendendo com as diferentes famílias que fotografo. E isso pra mim é ouro!
O ouro de hoje eu compartilho com vocês. Com certeza, essas não foram as fotos mais bonitas esteticamente que já tirei na vida, mas essa não era a ideia mesmo. A ideia aqui é mostrar a realidade no dia a dia de uma mãe. Seja ela mãe de filhos pequenos, seja ela mãe de adultos. Dei ao projeto o nome de Maternidade Real, e junto com as fotos que tiramos, pedi para que cada mãe desse o seu depoimento. E aí minha gente, esse é o ouro! O depoimento de cada uma delas pode te ensinar, pode fazer você pensar e abrir o coração para essa jornada chamada Maternidade.
Sem mais delongas, aproveitem com carinho essas fotos e depoimentos!
E desejo a todas essas lindas mães que fotografei para este projeto, as mães que já fotografei na vida, e a todas as mães tocadas por essas palavras, tenham um feliz dia das mães! Sabemos que seu dia é todos os dias.

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maternidade real florianopolis

O fato de ser empresária me proporciona algumas regalias com relação ao local e meu horário de trabalho. Desde que a Maria Clara nasceu, fico pelo menos dois dias da semana no home office, ou melhor, na casa da vovó office, rs. Nos outros me revezo entre estar na VOCALI, participar de reuniões e até viajar a trabalho. Essa rotina começou quando a Clarinha tinha quatro meses. No início era mais complicado, pois até os seis meses dela, mantive amamentação exclusiva. Quando ela começou a comer frutas e papinha, melhorou bastante e tudo ficou mais fácil. Eu e meu marido optamos por não colocá-la em creche, já que a minha mãe se dispôs a ficar com ela – e pretendemos deixar assim até o ano que vem, quando ela completa dois anos. É muito bom ficar perto dela nesta fase de descobertas e que tudo acontece muito rápido. Sem contar que na hora da pausa para o café, posso dar um cheirinho, rs. Sem dúvida me sinto privilegiada por tê-la tão próxima na maior parte da semana. Sei que a realidade é bem diferente pra maioria das mães, que precisam trabalhar e não tem a opção da vovó por perto. Por isso, no Dia das Mães, só me resta agradecer por ter a minha tão presente e tão essencial ainda hoje.
Clarissa Antunes, mãe da Maria Clara.

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Poder acompanhar a Maria Clara em todas as tardes é bem gratificante. Está sendo uma experiência e tanto. Quando se é mãe, ainda mais de primeira viagem, a gente acaba deixando muitos detalhes passar em função das ocupações e preocupações que temos em relação aos filhos. Agora, como avó, consigo acompanhar o seu desenvolvimento sob um novo olhar, sob uma outra perspectiva. Consigo ver nas pequenas coisas do dia-a-dia, a sua evolução e suas descobertas. Sem contar que ainda ajudo a Clarissa, pois hoje em dia
conciliar maternidade e vida profissional não é tarefa das mais fáceis. Então me sinto recompensada duplamente: ajudando a filhota e curtindo a netinha.
Maria Tereza Antunes Lorenço, mãe da Clarissa e avó da Maria Clara.

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Ser mãe de dois não é nada fácil. O amor se multiplica, mas o tempo não. É uma vontade sempre presente de poder fazer mais, fazer melhor, curtir mais cada um, ser mais tranquila para lidar, tratar, conversar, ter só um pouquinho mais de tempo.
Comecei a trabalhar no serviço público no 7° mês da gestação da Sofia. Assim, tive direito a licença maternidade de seis meses e meus direitos enquanto mãe foram respeitados. Na volta ao trabalho, com bebê de 5 meses, em outra cidade, só com apoio da família pude atrasar a ida para a creche e seguir amamentando. A primeira separação é intensa, cheia de questionamentos (e culpas), mas só as melhores intenções guiam nossas escolhas.
E então veio o Cadu. Uma surpresa. No tempo perfeito. Negociei a nossa mudança para perto do meu trabalho. Eu vinha gastando cerca de duas horas por dia em trânsito. Já sabia que precisaria dessas horas para descansar, amamentar, ficar perto das crias, manter a sanidade mental. Com dois, o amor se multiplica, mas o tempo…
Meu marido conseguiu alterar toda a sua rotina de trabalho para ficar com Cadu pela manhã. Leva Sofia na escola. Cria, veste, alimenta, cuida com amor, apego, paciência. Cozinha. E leva nosso bebê para mamar no meu trabalho. Todos os dias. Quando ele volta, à noite, nos encontra todos dormindo…
Me emociona ver o quanto a nossa família cresceu, no sentido de que nos tornamos mais unidos e comprometidos com esse jeito de criar filho de perto, juntos.
Eu adoro trabalhar. Sou consciente do quanto minha vida é privilegiada. Trabalho 6 horas, de manhã cedo. Essas são as minhas horas de “descanso”, porque no trabalho tem banheiro sozinha e de porta fechada, tem café quente que tomo sem preocupação, tem a minha comida só pra mim e consigo comer sentada, mastigar com calma.
É o luxo da mãe de dois poder fazer tudo isso. Também no trabalho, me sinto realizada nos dias em que consigo produzir bem, e um tanto culpada quando o rendimento cai, por conta das noites mal dormidas, da cabeça que não descansa, e por passar todas essas horas longe das crianças.
Perguntam como eu dou conta, com dois pequenos, com trabalho, sozinha à tarde e boa parte da noite. Eu não dou conta. Faço o que dá, da melhor forma que consigo. E tento negociar comigo mesma as culpas pelo que não consigo. A gente entra na maternagem achando que tem que fazer tudo sozinha, ter casa impecável, filhos obedientes, unhas feitas e cabelo arrumado. E não é nada disso. O Cadu veio me ensinar o desapego, a aceitar que às vezes não dá, que receber ajuda não desmerece a vivência, e que contar com a família e as redes de mães amigas torna tudo mais leve.
Ser mãe de dois não é fácil. Mas estou certa que a minha vida de mãe de dois é imensamente privilegiada.
Thais, mãe da Sofia e do Cadu.

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Quando me tornei mãe, fui tomada pelos mais loucos, fortes e lindos sentimentos que já havia experimentado.
Prontamente eu já soube que criaria aquele presente da maneira como nos dois, eu e seu pai, achássemos melhor. Sem rótulos, receitas e padrões. Baseados acima de tudo em nossas próprias escolhas e no amor. E assim, é.
Eu abri mão de muitas coisas, mudei muitas coisas, eu me tornei outra mulher. E recebi essa mulher com o coração aberto.
Eu me tornei mãe.
Me tornei autônoma, assumi a profissão que amo, vivi e vivo intensamente a maternidade. Eu lavo roupa, louça, faço xixi, com ela grudada em mim; no sling, no peito, no colo.
Ela mama no peito, dorme comigo, eu ainda a nino quando ela precisa. Tem dias difíceis?? Tem sim, tem vários. Mas nada, nada é maior do que a delicia de sua convivência. A rotina é punk!!
Mas é totalmente possível e o retorno vem em forma abraços e beijos diários.
Essa aí na foto é uma das minhas horas de trabalho. Se ela precisa estar comigo nessa hora, ficamos assim entre brinquedos e brincadeiras, mamadas e abraços, um telefonema, um e-mail, um relatório.
Mas essa é a minha maternidade!
A maternidade que eu escolhi, a minha maternidade real.
E nós?!
Estamos imensamente felizes assim! <3
Camilla, mãe da Vallentina.

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Me tornei mãe muito cedo, aos 16 anos.
Aprendemos muitas coisas juntos. Eles ainda me ensinam muito.
A minha maternidade, me ensinou que tem horas e fases muito difíceis, mas que nossos filhos nos mostram como superar.
A minha maternidade me ensinou a ser mãe, pai e tudo que precisei para tornar os meus filhos feliZes.
A minha maternidade me deu de presente a delícia de ser avó!
E nós seguimos assim, partilhando todos os momentos juntas, até esses assim, simples mas que tornam a vida cheia de alegria!
Luciana, mãe da Camilla e do Fernando, avó da Vallentina

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Quando pensava em ter filhos, sempre me questionei como encaixaria a maternidade e a minha vida profissional.
Ser arquiteta e empresária, dona do próprio escritório sempre foi meu sonho. São anos de dedicação e amor pela minha profissão e pelo meu trabalho.
Durante a gestação pensei… repensei,… queimei a cachola imaginando como seria a minha rotina após a chegada da pequeLila.
De fato a Maternidade é um mergulho no incerto, onde nasce uma Mãe que terá que se redescobrir e se reinventar para poder realizar suas atividades profissionais e pessoais. Mas, sempre, de certa maneira, TUDO se encaixa de forma tão perfeita que até assusta.
Não tirei licença maternidade, mas estou me permitindo a descobrir uma forma nova de trabalhar onde os horários flexíveis e alternativos têm sido ferramentas para gerenciar o tempo para a nova Ana.
Poder levar minha pequena junto comigo para o escritório, obras, lojas ou em atendimento; externos, foi de suma importância para garantir o que entendo ser uma vitória nossa: a amamentação exclusiva com leite materno.
E assim vamos vivendo, deixando o novo entrar, buscando sabedoria para aceitar que renasci, apreendendo, amando e descobrindo o novo mundo, sabendo que amanhã vai ser tudo diferente.
Ana Trevisan
Mãe da Lila, Leonina, Inquieta, Sonhadora, Apaixonada, Arquiteta, Paisagista

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Meu nome é Marcele, tenho 37 anos e sou muito feliz por ser a mãe do João.
João escolheu nascer na madrugada mais fria do ano passado e como um bom virginiano, nasceu exatamente no dia previsto, num parto sereno e intenso. As 02h38min, do dia 13 de setembro de 2015, chegava um menino tranquilo, repleto de paz e com o olhar mais profundo que eu já vi. Nascemos juntos eu e ele. E temos aprendido tanto um com o outro. Vivemos agarradinhos, juntinhos e apaixonados. Mas esse amor louco e incondicional não surgiu assim que eu engravidei nem mesmo quando ele nasceu. Foi sendo construído aos poucos, no nosso dia a dia, entre lágrimas e sorrisos, dores de cólicas, refluxos, rinites, mastites, medos e inseguranças e muitas noites em claro, muitas mesmo.
E eu sofri tanto até conseguir entender e aceitar que o João não curte muito dormir mais de uma hora seguida, seja de dia ou de noite. Eu li todos os livros, tentei técnicas, enlouqueci querendo aplicar as teorias insanas e ditas milagrosas porque afinal de contas todos os bebês dormiam pelo menos três horas seguidas menos o meu. Me questionava o tempo todo sobre o que eu estava fazendo de errado, e o que eu mais ouvia das pessoas era para ter calma e internalizar o mantra: tudo passa. Mas eu não queria que passasse, porque passaria o tempo
rápido demais e eu queria viver cada segundo com João. Até que eu me dei conta que o meu mantra era: confia, aceita e entrega. Era isso, confiar em mim e no meu instinto, aceitar as coisas como elas eram/são, respeitar o meu João com todas as suas singularidades e me entregar de corpo, alma e coração aberto pra tudo o que veio e que ainda vai vir.
João vai fazer oito meses e eu continuo dormindo muito pouco, mas a gente tem curtido tanto, se amado tanto e se divertido tanto! Tomamos café juntinhos, vamos pro supermercado, pro feirão, pro shopping, pro yoga, pra dança, pra casa dos amigos, pra loja da mamãe, pro médico, pro salão, pro restaurante, pro aniversário, pro curso, pra palestra, pra todos os lugares coladinhos um no outro. Ou não vamos a lugar nenhum e dormimos juntinhos, com muita sorte, por uma hora consecutiva ou ficamos em casa brincando e cuidando das nossas coisas. Lavamos louça, estendemos roupas e varremos o chão juntos, ele fica no sling observando tudo e eu explicando o que estou fazendo. Dou muito colo, muito
beijo, muito mamá, muito carinho e aconchego e recebo o olhar mais apaixonado e profundo de todos, muitas gargalhadas banguelas e deliciosas e muitas palminhas excitadas apenas pela minha presença descabelada ali na sua frente.
Meu maior parceiro, que me ensina tanto. Me ensina a amar mais. Quanto mais eu amo o João, mais eu amo o Lucas – o pai dele, mais eu amo os meus pais, mais eu admiro minhas amigas mães, menos eu julgo o outro e mais compreensiva eu me torno.
Obrigada, meu filho, por entre tanta gente tão legal nesse mundo, tu teres me escolhido e me dado a honra de ser a tua mãe.
Marcele Billo, mão do João.

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A hora do almoço costuma ser o momento mais turbulento do meu dia. Cozinhar algo rápido entre demandas de duas crianças, que agrade a todos e seja saudável não é uma tarefa muito fácil. Diversas vezes eu digo que estou cansada, que não quero mais, que todo dia não aguento. E então me lembro do quanto eles são saudáveis e estão cultivando hábitos saudáveis, e aí tenho um pouco mais de energia pra continuar.
Estamos quase sempre juntos enquanto cozinho. Tampas de panelas e colheres viram instrumentos musicais que distraem a Melina, de 1 ano, enquanto o André, de 3, observa e pergunta tudo. A cozinha vira um caos com brinquedos espalhados. Pros momentos em que nada distrai, o negócio é colocar alguém nas costas (geralmente a Melina, mas o André também pede e às vezes vai) e continuar. A Melina adora espiar os preparativos por cima do meu ombro, e às vezes chega a dormir embalada por uma cenoura sendo ralada hahaha.
Tê-los comigo, participando da rotina e consumindo alimentos saudáveis preparados com carinho compensa todo o cansaço. Espero que eles levem sempre com eles as lembranças desses momentos!
Elisa Manfrin, mãe do André e da Melina.

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Dormimos nosso primeiro soninho juntos horas depois do nascimento dela. Joana nasceu em casa, depois de cinco horas de intenso trabalho de parto. Quando todos foram embora, deitamos exaustos os três juntinhos e assim estamos até hoje, nove meses depois.
Como tudo começou? Durante a gravidez, lembro um dia estar no quarto dela com minha mãe e ela perguntar: vais por ela no bercinho dela, né? E respondi: claro! Desde o primeiro dia! Não gosto desse negócio do bebê dormindo com os pais… acho que acaba com a privacidade do casal! Que tola eu! Mal sabia que faria exatamente o contrário. Logo me apaixonei por te-la por perto, a noite toda, todas as noites. Adoro sentir o calor do seu corpo e perceber como ela se sente segura e acolhida ao nosso lado. Meu coração se expande quando acordo e encontro os olhos dela me olhando, me esperando, seguido por um sorriso tranquilo de quem está onde gostaria de estar.
Mas nem tudo é lindo e meigo assim também. Acordo quase todos os dias com o corpo doendo de ficar imóvel e espremida no canto da cama para garantir que ela durma, o lençol de baixo vive suado porque ela sente calor ao mamar na madrugada, mal consigo ganhar um carinho nos braços do meu marido Gabriel, e por aí vai.
Fizemos algumas tentativas para melhorar isso, mas sem sucesso. Quando Joana passou dos três meses, a cama começou a ficar pequena. Ela começou a se mexer mais, e a gente menos. E o nosso quarto mofou com a chuvarada e ela passou a ficar com o nariz entupido. Afe, como se mexia! Então nos mudamos para o quarto dela, sem mofo, e passamos a dormir no chão e ela no berço. Mas a tentativa durou apenas quarto dias. No meio na noite ela acordava e eu puxava ela pro nosso lado. Então voltamos pra nossa cama. O mofo foi resolvido, mas a falta de espaço não. Foi quando levamos o berço para o nosso quarto e juntamos à nossa cama. Pronto! Agora teremos espaço! Lá estava eu sendo tola pela segunda vez! Joana nunca, mas nunca parou no colchão dela. A cama fica cheia de almofadas e bichinhos e roupinhas, mas nada da Joana. Eu que as vezes acordo com metade do corpo no berço dela. E estamos assim até hoje.
Quando e como isso vai acabar? Não sei. Por enquanto, gosto ter a Joana ao nosso lado, acordar com a mãozinha dela me puxando, ganhar um sorriso logo cedo, sentir o cheirinho na madrugada. E gosto mais ainda de não ter que levantar para amamentar. Apenas viro pro lado, ponho a teta pra fora e pronto! Claro que as vezes sinto saudade de estar sozinha com o marido na cama, mas ainda não o suficiente para colocá-la no quarto dela. Por enquanto, os benefícios de estar perto são maiores.
As vezes penso em como será essa saída, se devo estabelecer um prazo, se vai ser um estresse ou tranquilo, se vou sofrer, se ela vai sofrer, se vai chorar e se sentir sozinha. E nunca chego a uma conclusão, porque só vivendo para saber. Cada bebê é de um jeito e a história de um não serve para os demais. Então por enquanto, deixo o meu coração me conduzir e vou aproveitando esse momento do qual, com certeza, sentirei saudade.
Gratidão à querida Natália Brasil por ter registrado lindamente esse momento nosso.
Ana Paula Souza, mãe da Joana.

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Compartilhar a cama com a Marcela é como senti-la dentro de meu ventre, segura, intocável e minha.
Nos damos as mãos e ficamos assim até adormecer, e tem sido assim durante esses anos todos.
Estar compartilhando a cama é estar também compartilhando cheiros, conversas, músicas e histórias antes de dormir; acho que ela se sente muito mais segura e eu muito mais tranquila.
E pretendo ficar assim até que Marcela, por si própria, decida o momento de estar em sua própria cama…
Fernanda Baccarini, mãe da Marcela.

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Meu nome é Priscilla, tenho 28 anos e sou mãe da Clara, de 2 anos e 11 meses e do Vinícius, de 1 ano e dois meses.
Quando a Natália me convidou pra fazer parte desse projeto fiquei muito feliz e honrada, pois acredito que o papel da nova geração de mães é quebrar o mito da “mãe divindade”. Não somos como as Madonas das obras renascentistas, belas, suaves, praticamente assexuadas, de olhar tranquilo e quase apático. Estamos muito mais próximas de qualquer obra de arte abstrata expressionista. Com cores, formas e sentimentos conflitantes, fortes e imprecisos mas, acima de tudo, com vida. Não, não somos como nos retratam comercias, como a grande mídia nos vende. Não estamos sempre com roupa limpa, cabelo arrumado, unhas feitas, casa limpa e organizada, carreira profissional promissora, felizes, sorrindo. De modo geral, estamos cansadas, sem dormir e sem comer direito, com boa parte dos itens da lista de afazeres pendentes, sem maquiagem, sem unhas impecáveis e com o cabelo preso. Temos muitas, muitas dúvidas. Temos medo, temos culpa.
A minha maternidade real, sem glamurização ou romantismos é bem próxima dessa foto. Tem sorriso, tem bagunça, tem brincadeira, tem trabalho sendo feito e tem sempre criança em volta ou, literalmente, pendurada em mim.
No meu caso, quando decidimos engravidar, optamos pela minha dedicação total nos primeiros anos dos nossos filhos. Eu parei de trabalhar e de estudar. Além disso, optamos por não colocá-los na escola tão cedo, ou seja, eu realmente passo 24h por dia junto com eles. Exceto quando eu levo o lixo pra rua. Tem dias que esse é meu único momento sozinha. Tomo banho, vou ao banheiro, brinco, durmo, acordo, cozinho, limpo a casa, ouço música, tudo com eles. Eu já me senti sufocada pela maternidade. Já passei dias sem me olhar no espelho, por simplesmente não conseguir parar na frente dele. Já passei dias sem tomar banho e sem lembrar de escovar os dentes. Como acontece com boa parte das famílias brasileiras, nós não temos condições financeiras de arcar com uma faxineira. Então, desde passar uma vassourinha, até a limpeza pesada do banheiro, lá estão as crianças comigo. Elas ajudam, interrompem (interrompem muito), arrumam junto ou bagunçam o que eu acabei de organizar. E como temos três gatos, a rotina de passar aspirador de pó na casa inteira, todos os dias, é insubstituível. O barulho que ele faz irrita as crianças (e a mim também), somado o tempo que levo fazendo isso, acaba sendo muito comum eu passar aspirador de pó com o Vinícius chorando inconsolavelmente no carrinho, e isso me mata! Eu realmente detesto! Colocá-lo no sling pra realizar os afazeres domésticos é uma opção cada vez menos viável à medida que ele cresce. Parte das atividades de casa eu consigo incluí-los, então eles brincam e o estresse é bastante minimizado, eles têm atenção e eu consigo, mesmo que em passos de formiga, dar mais ou menos conta de tudo. Porém, algumas coisas não tem como incluí-los, daí é trabalhar o equilíbrio emocional de todos e fazer isso, ou parar de fazer, com alguém reclamando ou chorando em volta.
Como todas as mães, sim todas, eu já que tive vontade de sair correndo sem hora pra voltar. Talvez por eu passar absolutamente todo o meu tempo, que não é mais meu e sim nosso, com eles esse sentimento seja maximizado. Já chorei de estafa, de alegria, de culpa, de emoção, de dúvida, de orgulho e de medo. Dos inúmeros adjetivos que a maternidade poderia receber, acredito que facilidade é um dos que menos se aplicam. Nunca vai ser fácil, mas sempre vai ser o máximo! É incrível participar da construção de uma pessoa! É engraçado, inesperado, é rever o mundo com os olhos do outro, é recobrar o fôlego e ver a esperança renascer todo os dias. Assim como eles tiram nossas forças, eles nos dão uma força que eu não sei como descrever.
A minha maternidade, como qualquer outra, não é fácil. Mas acredito que tenho grandes trunfos, que, na verdade, deveriam ser a regra! Tenho apoio, parceria, acolhimento, reconhecimento, amor, ajuda, empatia e respeito. Recebo isso todos os dias do meu marido. E, nesses aspectos, não tenho absolutamente nada a reclamar da minha família e dos meus amigos. Com esses aliados tudo fica muito mais fácil e leve. A maternidade não é um peso pra mim, tenho dificuldades, não sofrimento. Sempre tive consciência de que as minhas escolhas implicariam em diversas renúncias. Confesso que já sinto saudade dessa fase. Sinto saudade das dificuldades, das facilidades, de conseguir protegê-los do mundo num abraço, de rir e crescer junto com eles, sinto muita saudade dessa convivência tão intensa. A maternidade me realiza plenamente e me faz muito feliz!
No fim, eu desejo a todas as mães que a suas famílias e, sobretudo, a sociedade saibam cada vez mais acolher, apoiar, auxiliar, reconhecer e respeitar as escolhas dessas mulheres mães. Que entre nós, mães, haja cada vez menos julgamento. Desejo que nós nos comparemos cada vez menos. Qualquer comparação é cruel e injusta. Somos únicas e com vivências únicas. Que as experiências tão diversas nos possibilitem trocas, que não sejam objeto de aprovação ou reprovação. Que sejamos cada vez mais parceiras, maternidade é rede!
Priscilla, mãe da Clara e do Vinícius.

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Ser Mãe para mim sempre foi muito natural, sempre sonhei e desejei viver assim… dias de puro amor, dias de pura loucura… A gente pensa que vai ser difícil, que vai ser fácil, que vamos tirar de letra ou que vamos precisar de toda ajuda do mundo…
Quando nos tornarmos mães, descobrimos que não existe dia bom, nem ruim… nem mesmo dia em que doente vamos ter tranquilidade ou horas de extra de sono. Mesmo precisando muito disso, nos damos conta que a alegria deles, ao nosso lado é a maior alegria e o melhor remédio que poderíamos desejar.
Milena Luisa, mãe do Artur, Mateus e Pedro.

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Velas, incenso, luz amena… Os banhos relaxantes ainda existem, mas deram espaço ao que chamo banhos energizantes!
Cheios de conversinha, brincadeira, lavação de orelhas, bum-bum, “bibigo”, os banhos agora se demoram no afeto.
Karin Vanelli, mão do Francisco

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Falar sobre o lado real da maternidade é um prazer, quando a Nati me chamou para participar do projeto eu tirei um tempo para pensar sobre o que eu sabia sobre maternidade antes de ser mãe. E me veio uma única frase na cabeça, dita pela minha tia logo que eu descobri que estava grávida: ” É maravilhoso mas vão ter horas que tu vais ter vontade de engolir e colocar na barriga de novo. ” E ao lembrar disso eu ri, porque é verdade. O Davi foi um presente que o universo me deu, ou gestação não planejada como alguns preferem chamar, e com 21 anos eu saí lendo tudo que encontrava pela frente para tentar entender um pouco e me preparar para essa experiência. Mas eu não encontrei quase ninguém na época que me contou o que realmente eu vivi e vivo. Essa foto foi um desafio para mim, mas com o compromisso de mostrar o lado não tão glamuroso (e nem por isso menos amoroso) da maternidade. Viver dando colo, privação de sono, as nossas escolhas todas pesam e levam em consideração aquele ser incrível que a gente pôs no mundo. Até o chocolatinho tem que ser escondido pra não influenciar os hábitos alimentares em formação, os banhos são corridos e as idas ao banheiro SEMPRE acompanhadas. Olha, não é para qualquer um mas com certeza quem se arrisca sabe e pode garantir que é um sentimento inexplicável.
Laís, mãe do Davi.

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Aqui em casa somos todos estudantes, estou no terceiro ano da faculdade de psicologia, João Vitor (18) no ultimo semestre do curso técnico de eletrônica, Augusto (12) no oitavo ano e Maria Luiza(9) no quarto ano do fundamental. Muitas vezes os momentos de estudos são compartilhados e cheios de interação, cada um contribui com suas “especialidades”. João sempre levanta questionamentos políticos e sociais, que muitas vezes se estendem noite adentro… Augusto é um atlas falante, explorador de países e culturas, e Maria Luiza sempre tem sua visão critica de todos os assuntos em pauta. E assim nunca nos falta assunto e coisas novas para aprender.
Quando me tornei mãe, aos 16 anos, prometi para mim mesma que conseguira esperar o tempo necessário para fazer a faculdade. E logo me dei conta que nenhuma faculdade me ensinaria e prepararia melhor para vida que essa louca e intensa entrega à maternidade. Desde sempre eles são minha prioridade, minha principal disciplina e o maior exercício pratico. É com eles que aprendo as maiores lições e experiencio os maiores desafios intelectuais e emocionais. Amo aprender com eles, e poder dizer tantas vezes que não tenho respostas para as perguntas que me fazem, essa talvez seja uma das maiores delicias da maternidade, poder ser eternamente aprendiz, me entregar para o fato de que nada estará sempre sob controle, aceitar minhas limitações e dificuldades e ainda assim ser retribuída com as maiores demonstrações de carinho e amor imensurável.
Virginia, mãe do João Vitor, Augusto e Maria Luiza.

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As referências que temos, pelos exemplos que ganhamos, justificam muito do que vivemos e somos agora… Quem é mãe já viu alguém sendo… E, quem não viu, verá pela sua própria e única experiência, que também é instinto… natural… tanto quanto inspirar e expirar… Expira pra nascer e inspira pra crescer… E como crescem rápido, não!? Como aquela que “Quando os filhos são pequenos são tão fofinhos que temos vontade de comê-los, e, quando crescem, nos arrependemos de não tê-los comido”…
Não tem receita, e, as razões, às vezes, não se dizem se está certo assim, ou não; apenas se sentem e se deixam acontecer… O sentimento é inexplicável também. O amor, incondicional, único, verdadeiro. Tão verdadeiro que às vezes dói… E o doar e o doer e o amar que se misturam tornam esse sentimento tão especial e que merece sempre ser lembrado e agradecido… Não apenas hoje! No dia em que muitos filhos estão ou desejariam estar pertinho de suas mães… Como eu da minha agora, que está longe de mim, mas aqui dentro sempre!
Agradecida imensamente pela linda e maravilhosa mãe que tenho, pela vó, pelas tias, madrinhas, irmãs (também mulheres-mãe-adotivas). Agradecida também pelos filhos lindos e especiais que me escolheram! Por ainda tê-los pertinho e por ainda me amarem e me aturarem wink emoticon Amo vocês! Feliz Dia para todos nós!
Fernanda, mãe da Jaqueline e do Júnior

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